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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

PMDB do Rio de Janeiro mata usuário de Crack de 10 anos de idade.


(Os Ninguéns, Eduardo Galeano.)

“As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”





Depois de a prefeitura do Rio de Janeiro agir sem uma polítíca clara de como lidar com os usários de Crack, finalmente aconteceu o que era algo como uma tragédia previsível: Um garoto de 8 anos morreu atropelado na manhã da quinta-feira, 10, na Avenida Brasil, zona norte do Rio, quando fugia de agentes da Polícia Militar e da secretaria municipal de Assistência Social que realizavam operação contra o crack. O acidente aconteceu por volta das 4h45 na Favela Nova Holanda, na região do Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas da cidade, ainda não pacificada.
De acordo com policiais do Batalhão da Maré, o garoto tentou atravessar a pista correndo ao perceber a aproximação dos agentes da secretaria de Assistência Social. Os usuários de droga menores de idade recolhidos na operação são encaminhados compulsoriamente para tratamento em abrigos municipais.  
Locais conhecidos como pontos para o consumo de drogas, as favelas Parque União e Nova Holanda, na altura da Avenida Brasil, são alvos constantes de ações da prefeitura para o combate ao crack desde outubro. As operações  começaram após a ocupação da polícia nas favelas de Manguinhos e Jacarezinho, onde os usuários de drogas se concentravam. Em novembro, outro usuário de crack morreu ao ser atropelado na região.
Os usuários ficavam como gado a espera do abate, em plena Avenida Brasil, consumindo e sendo consumidos pelo seu vício.E está cada vez aumentando o número  de usuários e o pior, crianças da mesma idade, como esta que morreu hoje.
Essa criança era de uma família muito pobre, moradora da Vila Cruzeiro e esteve fora de casa por 10 dias.Nunca havia recebido a visita de assistentes sociais, mas ao morrer, virando manchete e estatística,  sua mãe recebeu a visita de um carro lotado de assistentes sociais.
Tragédia anunciada e não é a primeira nem será a última, com essa intervenção desastrada do governo!
Outros podem pensar: “mais e daí? qual o problema em matar um garoto de 8 anos? esse aí nem era gente, era só mais um viciado; entra na lista de Zé Ninguéns...”
Ninguém duvida que o crack, é hoje um grave problema social e de saúde. E por ser grave, necessita de soluções rápidas e efetivas, acompanhadas de revisão urgente da política de drogas vigente, pois as medidas assistenciais específicas não estão disponíveis.
O crack, devido a sua facilidade de ser encontrado, e sua acessibilidade às pessoas de baixo poder aquisitivo, faz dele atualmente substância mais procurada entre as demais drogas. Seu formato é de pedra e custa menos do que a cocaína em pó, por ser um derivado mais grosseiro, obtido da mistura da pasta com bicarbonato de sódio.
Ele alcança o pulmão, o qual absorve imediatamente a fumaça aspirada,  encurtando o caminho para chegar ao cérebro, surgindo os efeitos da cocaína muito mais rápido do que pelas vias nasal e endovenosa.
Segundo estudos do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas de 2003, o usuário tem a tendência de querer doses maiores em busca de efeitos mais intensos. Porém, tais doses maiores levam a um comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras, devido ao aparecimento de paranóias (noia para os viciados).
Parte da sociedade se pergunta, talvez, porque eles não se ajudam?Porque eles não deixam as pessoas ajudá-los?
Quando sob o domínio do crack, muitos viciados se isolam e, mesmo que temporariamente, se tornam indigentes. A substância transforma o usuário e o mantém arredio, impossível de manter relações com parentes e amigos, chegando a afastá-lo do trabalho. Em alguns casos a degradação pode dar-se em poucas semanas
Há a  urgente necessidade de expansão da rede de atendimento extra-hospitalar e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o funcionamento 24 horas desses centros.
Assim como é necessário pensar  o cuidado e o resgate aos usuários de crack.
É muito importante que os CAPS sejam referência de cuidado e atendimento. Estamos falando da construção de um atendimento integrado, contemplando a dimensão da saúde mental, com assistência social e geração de renda. É fundamental  um amplo atendimento para resgate e cuidado aos usuários de crack..
Essa questão passa pela construção de um Plano de Ação Municipal para cuidado especializado para usuários de crack, e não simplesmente pela politica higienista da Internação Compulsória,  mascaradora dada real situação dessa calamidade pública.
É importante termos uma dimensão do problema para aplicarmos a política com qualidade, para que sejam as mais adequadas para o cenário atual.Coisa que as politicas públicas dos governos do PMDB(governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes parecem não querer ou saber fazer
Segundo dados do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro  há  6,3 mil pessoas em situação de rua, sendo cerca de 600 identificadas no perfil de demanda de um tratamento mais intensivo decorrente do uso do crack.
No capitalismo e, na nossa democracia normativa de mercado muitos não podem, simplesmente, serem senhores do seu destino. Não se escolhe viver na encosta do morro, sem água ou saneamento e sobreviver de subempregos como não se escolhe - pelo menos a maioria dos drogadictos - entre usar esta ou aquela droga ou não usar. É uma questão de excessiva oferta - de drogas - combinada com a falta de escolhas ou perspectivas. Elas muitas vezes estão incorporadas as comunidades - junto com o trafico  e o crime - como a ausência e omissão do Estado - a não ser pela policia. Numa tradição avessa a democracia, autoritária e subserviente aos senhores e/ou poderosos do dia, a corda sempre vai arrebentar do lado mais fraco - indivíduo e sociedade. A escala deve ser invertida na hierarquia de responsabilidades com relação ao problema do crack e das drogas pelo simples motivo de que se trata de uma questão de saúde e segurança públicas.
O crack hoje se impõe como um desafio para as políticas públicas. Não só pela quantidade, uma vez que o número de casos de alcoolismo é bem maior — e ocupa cerca de 70% dos atendimentos dos Centros de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) — mas porque é preciso encontrar uma nova estratégia de atuação.
Como em sua maioria são trabalhadores, ou filhos destes, o Estado demorou a ter políticas públicas para estes, até perceber que os filhos da burguesia também estão viciados. E os que estão executando nada mais são do que maquiagem, numa pratica higienista lamentável, sumindo com os usuários, dos olhos da classe média assustada.
O crack é uma droga que provoca uma dependência química rápida e devastadora e a forma de tratar com este tipo de usuário está desafiando os setores de atendimento da saúde, educação, assistência social, juventude e segurança. A política de redução de danos, que trata o usuário de drogas e álcool ainda durante o uso das substâncias, não se aplica ao crack, pois o viciado não raciocina e dificulta qualquer tipo de abordagem ou intervenção.
Infelizmente há uma imensa dificuldade de instituir tratamento nos usuários, porque a droga muda as suas prioridades, Medo e desconfianças crescentes, são consequências desse estado que leva os/as usuários/as a situações de extrema agressividade. Alucinações e delírios podem aparecer e completar um quadro que é conhecido como “psicose cocaínica”. Acabando por não aderir ao tratamento da forma necessária.  A partir  disso a opção pela internação compulsória, e normalmente violenta, pode ser a pior escolha em casos como esses.  O atropelamento e morte do usuário de 10 anos de idade parece comprovar esta teoria, infelizmente.
Uma pergunta que fica: quantos mais usuários de crack, crianças ou adultos, terão que morrer violentamente, até que a sociedade  os vejam como o que são, seres humanos sofredores de transtornos mentais devido ao vicio de uma droga?
Se você é contra a internação compulsória de usuários de crack e está indignado com essa morte, compartilhe este texto, divulguem.

Maximiano Laureano da Silva


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

MPRJ discute cuidado e o resgate aos usuários de crack em audiência pública

Cerca de 200 pessoas participaram nesta terça-feira (11/12) da audiência pública "Crack: prevenção, resgate e cuidados especializados em Saúde Mental", promovida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). As palestras e debates realizados no encontro servirão de base para a elaboração do Plano Municipal de Atendimento ao Usuário de Crack e Outras Drogas do Rio de Janeiro, segundo informou Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil, Hans Dohmann, um dos presentes. Os titulares da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde, Anabelle Macedo Silva, e da 7ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania, Rogério Pacheco Alves, foram os mediadores da audiência pública e cobraram a necessidade de urgente expansão da rede de atendimento especializada. Representantes da sociedade civil, de universidades, de centros de produção de conhecimento na área de saúde mental, e conselhos profissionais e de saúde também apresentaram ideias e experiências sobre o cuidado e o resgate aos usuários de crack.

Participaram da primeira mesa de exposições o Secretário Municipal de Saúde, a Subsecretária de Proteção Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Mônica Blum; a Subsecretária de Atenção à Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Mônica Morrissy Martins Almeida; a Assistente Social, Técnica da Gerência de Saúde Mental e Coordenadora do Fórum Intersetorial de Atenção ao Uso de Álcool e Drogas, Ana Lúcia da Silva; Assessor Especial e Superintendente de Políticas sobre Drogas da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Leonardo Percoraro Costa; Assessor Técnico de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Aldo Zaiden; e a Coordenadora Geral de Serviços de Acolhimento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Mariana de Souza Machado Neris.

O Procurador da República Jaime Mitropoulos; a Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Sessão do Estado do Rio de Janeiro, Margarida Pressburger; o Vereador Reimont; e o Subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Daniel Soranz, também prestigiaram o encontro.

Durante as exposições, foi unânime a identificação da necessidade de expansão da rede de atendimento extra-hospitalar e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). "O funcionamento 24 horas dos CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas) será priorizado pelo Ministério Público, conforme ressaltado pelos especialistas ouvidos. É muito importante que os CAPS sejam referência de cuidado e atendimento. Estamos falando da construção de um atendimento integrado, contemplando a dimensão da saúde mental, com assistência social e geração de renda. Estamos falando de um amplo atendimento para resgate e cuidado aos usuários de crack", disse a Promotora de Justiça Anabelle Macedo Silva.

O Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil afirmou que as contribuições levantadas durante a audiência pública do MPRJ subsidiarão a construção de um Plano de Ação Municipal para cuidado especializado para usuários de crack, que será apresentada pelo Município do Rio de Janeiro. "É importante termos uma dimensão do problema para aplicarmos a política com qualidade, para que sejam as mais adequadas para o cenário atual. Vamos utilizar todas as ferramentas para tratar este problema", declarou.

O Promotor de Justiça Rogério Pacheco informou que dados apresentados pelo Município dimensionam 6,3 mil pessoas em situação de rua, sendo cerca de 600 identificadas no perfil de demanda de um tratamento mais intensivo decorrente do uso do crack.

Durante a tarde, as mesas de debate prosseguiram com a presença de especialistas, tais como: a representante da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Bernardo do Campo, Lumena Almeida Castro Furtado; a Psicóloga e Pesquisadora do PROJAD/IPUB/UFRJ, Doutora em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, Luana Ruff; o Professor da Escola de Serviço Social da UFRJ Eduardo Mourão Vasconcellos; o Professor e Diretor da Faculdade de Serviço Social da UERJ, Coordenador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e Supervisor do CAPS, Marco José Duarte; o psiquiatra André Luiz Carvalho Netto, do Hospital Pedro Ernesto; o psiquiatra e advogado e ex-coordenador do Departamento de Psiquiatria forense da ABP Talvane de Moraes; e da médica sanitarista do Instituto Oswaldo Cruz Lúcia Souto.

A mesa dos conselhos e sociedade civil foi integrada pela representante do Núcleo Estadual do Rio de Janeiro do Movimento da Luta Antimanicomial, Iracema Vieira Polidoro; Presidente da ABP, Membro da Câmara Técnica de Psiquiatria do CREMERJ e Professora de Psiquiatria da Universidade Gama Filho, Maria de Fátima Viana de Vasconcelos; a Mestre em Enfermagem Assistencial pela UFF, membro da rede de pesquisas sobre drogas da SENAD e professora da faculdade Arthur Sá Earp Neto, em Petrópolis, Sônia Silva Paiva Mota Gonçalves; Silvia Dabda Calache Distler, do CRESS-RJ; e a Psicóloga e colaboradora do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, representante da entidade na Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos e no Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas (CEPOPD), doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisadora da organização de direitos humanos Justiça Global, Alice de Marchi.

O Painel Saúde e Cidadania contou com a participação do público. As apresentações e contribuições levadas à audiência pública estão em 



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mães usuárias de crack sofrem com bebês com o vírus HIV e ações de destituição do poder familiar.


O potencial destrutivo do crack não atinge apenas o usuário de drogas. Recém-nascidos, filhos de mães usuárias da droga, já constam em cerca de 90% dos processos de destituição do poder familiar, relativos a bebês, em andamento no Juizado da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca da Capital. As ações propostas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), através das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude da Capital, têm por objetivo garantir a convivência familiar das crianças.
Nos casos em que a criança sofre maus-tratos, negligência ou abandono por parte da mãe, o objetivo do MPRJ é garantir sua permanência sob a guarda de outros integrantes da família de origem ou, em último caso, adotar as medidas cabíveis para a colocação em família substituta, sob as modalidades de adoção, tutela ou guarda.
De acordo com a Promotora de Justiça Ana Cristina Huth Macedo, nos últimos dois anos aumentou o número de ações envolvendo mães viciadas em crack. Em média, a Promotoria atende a um caso por semana. Em geral, o perfil dessas mães é semelhante: registro civil apenas com o nome da mãe, oriunda de famílias desestruturadas ou com vivência nas ruas, idade entre 15 e 30 anos.
A Promotora explica que as maternidades têm a recomendação do Juizado de notificar a chegada de mães sem documentação ou que demonstrem ausência de vínculo familiar ou abordadas em ações de recolhimento da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro. Quando elas têm alta da maternidade, são encaminhadas ao Juizado, entrevistadas e cada caso é avaliado em audiência. É facultado às mães o direito de iniciar tratamento de recuperação e de serem acolhidas em abrigo familiar. Caso ocorra abandono ou a impossibilidade de a criança ser acolhida por outros membros da família, o bebê é encaminhado para integrar o cadastro de adoção.
Além disso, Bebês com o vírus HIV voltaram a ser realidade nas maternidades do Rio. Segundo o jornal O DIA,a  Sociedade Viva Cazuza, não vinha recebendo recém-nascidos infectados há 6 anos, mas infelizmente abrigou 12 nos últimos 18 meses. Assim como o Abrigo Evangélico da Pedra de Guaratiba acolheu 14. O jornal afirma que muitos são filhos de mães viciadas em drogas como o crack. Ele também afirma que “Muitas usuárias de crack se prostituem para conseguir a pedra e engravidam. A incidência de grávidas tiradas de cracolândias por assistentes sociais da prefeitura é alta”.
Segundo a gerente do programa municipal de DST/Aids, Lílian Lauria, se a mulher soropositiva tomar sua medicação enquanto gestante, o risco de transmissão será menor do  que 1%. Mas se só chega na hora do parto esse índice não é possível”. Para ela, o fenômeno do aumento de bebês com o vírus,  é muito alarmante, porém novo na saúde pública,  sendo uma das causas de não haver ainda estatísticas confiáveis.
A gerente lembra que o município do Rio de Janeiro oferece teste rápido de diagnóstico,  no posto de saúde do Centro, e em breve começará a oferecê-lo na Clínica da Família do Jacarezinho, devido à concentração de moradores de rua: “O objetivo é conseguir fazer com que essas mulheres façam o pré-natal.”
Infelizmente há uma imensa dificuldade de instituir tratamento nas usuárias, porque a droga muda as suas prioridades, Medo e desconfianças crescentes, são consequências desse estado que leva os/as usuários/as a situações de extrema agressividade. Alucinações e delírios podem aparecer e completar um quadro que é conhecido como “psicose cocaínica”. Acabando por não aderir ao tratamento da forma necessária.  O impacto do crack na gestação tem sido objeto de vários estudos nas últimas três décadas, mas ainda há controvérsia sobre os efeitos em longo prazo na criança.

Fontes: Jornal O Dia e site do Ministério Público do Rio de Janeiro

http://www.mp.rj.gov.br/

Maximiano Laureano da Silva

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sobre o domínio do Crack e as políticas públicas







Sobre o domínio do Crack




Karl Marx,  pensador do século XIX, ao analisar a sociedade capitalista de sua época, classificou as divisões entre burgueses e proletariado, operários a patrões.
Mas dizia também haver o Lumpém-proletariado, isto é, os trabalhadores desempregados, que andavam pelas ruas, passando fome, a procura de emprego.
Marx não chegou a conhecer os viciados em Crack, que no meu entender estão em situação aguda de desamparo social, indo mais fundo na escala do lumpesinato, pois o que define o Lumpém é sua mobilidade social, podendo, e desejando deixar o que Marx chamava de “exército industrial de reserva”, ao conseguir um emprego.
Ninguém duvida que o crack, é hoje um grave problema social e de saúde. E por ser grave, necessita de soluções rápidas e efetivas, acompanhadas de revisão urgente da política de drogas vigente, pois as medidas assistenciais específicas não estão disponíveis.
O         crack, devido a sua facilidade de ser encontrado, e sua acessibilidade às pessoas de baixo poder aquisitivo, faz dele atualmente substância mais procurada entre as demais drogas. Seu formato é de pedra e custa menos do que a cocaína em pó, por ser um derivado mais grosseiro, obtido da mistura da pasta com bicarbonato de sódio.
Ele alcança o pulmão, o qual absorve imediatamente a fumaça aspirada,  encurtando o caminho para chegar ao cérebro, surgindo os efeitos da cocaína muito mais rápido do que pelas vias nasal e endovenosa.
Segundo estudos do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas de 2003, o usuário tem a tendência de querer doses maiores em busca de efeitos mais intensos. Porém, tais doses maiores levam a um comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras, devido ao aparecimento de paranóias (noia para os viciados).
Medo e desconfianças crescentes, são consequências desse estado que leva os usuários a situações de extrema agressividade. Alucinações e delírios podem aparecer e completar um quadro que é conhecido como “psicose cocaínica”.
Quando sob o domínio do crack, muitos viciados se isolam e, mesmo que temporariamente, se tornam indigentes. A substância transforma o usuário e o mantém arredio, impossível de manter relações com parentes e amigos, chegando a afastá-lo do trabalho. Em alguns casos a degradação pode dar-se em poucas semanas.
O usuário emagrece rapidamente, já que a cocaína inibe o apetite; fica sem dormir, deixando de lado a higiene pessoal. À medida que o consumo de crack progride, chega a fase das reações paranóicas. O viciado acha que está sendo perseguido e tem pensamentos obsessivos – vem daí o apelido de “noia” ou “noiado” que esses dependentes carregam.
         Os que se vê nas ruas em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, em São Paulo, são viciados, frutos da degeneração capitalista, que já não procuram emprego, vivendo da mendicância, até o momento final.
É uma droga que causa dependência e danos físicos rapidamente e que apesar dos indícios do uso entre pessoas da classe média, afeta mais diretamente populações mais vulneráveis.
E o resultado: filhos gerados em meio ao vício, abandonados, não raras vezes doentes! Filhos da degradação humana, da humilhação e indignidade no seu limite máximo!Onde estão as políticas públicas para essas crianças ignoradas, invisíveis?Onde?
Essa questão é bem interessante. Sim, as conformações e condicionantes sociais atuam sobre os indivíduos, mas temos em uma mesma família e grupo social pessoas que se desviam para o caminho do crime, das drogas, da dissolução, e outras que não o fazem - o que comprova a existência de algum componente individual nas escolhas e no destino de cada um. Claro que há uma correlação entre drogas baratas e usuários pobres, assim como há entre drogas caras e usuários ricos, correlação essa que às vezes se inverte, por ironia do acaso.
No capitalismo e, na nossa democracia normativa de mercado muitos não podem, simplesmente, serem senhores do seu destino. Não se escolhe viver na encosta do morro, sem água ou saneamento e sobreviver de subempregos como não se escolhe - pelo menos a maioria dos drogadictos - entre usar esta ou aquela droga ou não usar. É uma questão de excessiva oferta - de drogas - combinada com a falta de escolhas ou perspectivas. Elas muitas vezes estão incorporadas as comunidades - junto com o trafico  e o crime - como a ausência e omissão do Estado - a não ser pela policia. Numa tradição avessa a democracia, autoritária e subserviente aos senhores e/ou poderosos do dia, a corda sempre vai arrebentar do lado mais fraco - indivíduo e sociedade. A escala deve ser invertida na hierarquia de responsabilidades com relação ao problema do crack e das drogas pelo simples motivo de que se trata de uma questão de saúde e segurança públicas.
Por outro lado, é o preconceito e o caráter individualista/personalista da sociedade que simplesmente joga nas costas do indivíduo - a despeito das suas condições - todo o seu destino. Exatamente como fazem os americanos exigindo, conforme os seus padrões e dogmas, que se seja winner ou loser. Se o sujeito for bem sucedido profissionalmente e, sobretudo, materialmente, ou um fracassado, em ambos os casos no discurso e no imaginário social trata-se exclusivamente de questão individual - self made man! Aos vencedores a glória, o prestigio e o status e aos perdedores o desprezo, a lei e as armas!
O avesso dos valores democráticos e de cidadania - senso de responsabilidade publica e social -, de acordo, alias, com o discurso e valores, da ideologia neoliberal do Estado mínimo.
 O crack hoje se impõe como um desafio para as políticas públicas. Não só pela quantidade, uma vez que o número de casos de alcoolismo é bem maior — e ocupa cerca de 70% dos atendimentos dos Centros de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) — mas porque é preciso encontrar uma nova estratégia de atuação.
Como em sua maioria são trabalhadores, ou filhos destes, o Estado demorou a ter políticas públicas para estes, até perceber que os filhos da burguesia também estão viciados. E os que estão executando nada mais são do que maquiagem, numa pratica higienista lamentável, sumindo com os usuários, dos olhos da classe média assustada.
O crack é uma droga que provoca uma dependência química rápida e devastadora e a forma de tratar com este tipo de usuário está desafiando os setores de atendimento da saúde, educação, assistência social, juventude e segurança. A política de redução danos, que trata o usuário de drogas e álcool ainda durante o uso das substâncias, não se aplica ao crack, pois o viciado não raciocina e dificulta qualquer tipo de abordagem ou intervenção.
Também não é possível acabar com a violência, aumentando o policiamento da cidade, pois isso em nada afeta as causas reais da violência e do consumo da droga, que são as profundas desigualdades sociais em que estão imersos nossos trabalhadores, a falta de moradia, de saúde, de educação de qualidade, o desemprego que coloca a juventude pobre e negra com uma única perspectiva: o tráfico de drogas.
         Hoje é imprescindível a adoção de muito mais investimento na saúde e de uma nova política sobre drogas que descriminalize e trate o usuário e ponha fim à “guerra ao crack”, além de mais investimento na educação em todos os níveis. A sociedade precisa urgente e verdadeiramente se unir para resolver esse grande mal-social Se permitirmos que políticos, e somente eles, tentem encontrar uma solução, estaremos incorrendo mais uma vez no mesmo erro,quando não nos rebelamos quanto a favelização de nossas cidades, e fomos apenas gradeando casas e prédios,na preocupação de nos defendermos da violência,situação da qual hoje somos reféns.
Como e o que fazer, não sei responder, mas discutirmos sobre uma solução, por aqui,já é um bom começo,desde que não fiquemos apenas no discurso e partamos para ação

Maximiano Laureano da Silva


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sob o domínio do Crack

Karl Marx,  pensador do século XIX, ao analisar a sociedade capitalista de sua época, classificou as divisões entre burgueses e proletariado, operários a patrões.
Mas dizia também haver o Lumpém-proletariado, isto é, os trabalhadores desempregados, que andavam pelas ruas, passando fome, a procura de emprego.
Marx não chegou a conhecer o viciados em Crack, que no meu entender estão em situação aguda de desamparo social, indo mais fundo na escala do lumpesinato, pois o que define o Lumpém é sua mobilidade social, podendo, e desejando deixar o que Marx chamava de “exército industrial de reserva”, ao conseguir um emprego.
Ninguém duvida que o crack, é hoje um grave problema social e de saúde. E por ser grave, necessita de soluções rápidas e efetivas, acompanhadas de revisão urgente da política de drogas vigente, pois as medidas assistenciais específicas não estão disponíveis.
O crack, devido a sua facilidade de ser encontrado,  e sua acessbilidade às pessoas de baixo poder aquisitivo, faz dele atualmente substância mais procurada entre as demais drogas. Seu formato é de pedra e custa menos do que a cocaína em pó, por ser um derivado mais grosseiro, obtido da mistura da pasta com bicarbonato de sódio.
Ele alcança o pulmão, o qual absorve imediatamente a fumaça aspirada,  encurtando o caminho para chegar ao cérebro, surgindo os efeitos da cocaína muito mais rápido do que pelas vias nasal e endovenosa.
Segundo estudos do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas de 2003, o usuário tem a tendência de querer doses maiores em busca de efeitos mais intenso. Porém, tais doses maiores levam a um comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras, devido ao aparecimento de paranóias (noia para os viciados).
Medo e desconfianças crescentes, são consequências desse estado que leva os usuários a situações de extrema agressividade. Alucinações e delírios podem aparecer e completar um quadro que é conhecido como “psicose cocaínica”.
Quando sob o domínio do crack, muitos viciados se isolam e, mesmo que temporariamente, se tornam indigentes. A substância transforma o usuário e o mantém arredio, impossível de manter relações com parentes e amigos, chegando a afastá-lo do trabalho. Em alguns casos a degradação pode dar-se em poucas semanas.
O usuário emagrece rapidamente, já que a cocaína inibe o apetite; fica sem dormir, deixando de lado a higiene pessoal. À medida que o consumo de crack progride, chega a fase das reações paranóicas. O viciado acha que está sendo perseguido e tem pensamentos obsessivos – vem daí o apelido de “noia” ou “noiado” que esses dependentes carregam.
         Os que se vê nas ruas em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, em São Paulo, são viciados, frutos da degeneração capitalista, que já não procuram emprego, vivendo da mendicância, até o momento final.
É uma droga que causa dependência e danos físicos rapidamente e que apesar dos indícios do uso entre pessoas da classe média, afeta mais diretamente populações mais vulneráveis.
E o resultado: filhos gerados em meio ao vício, abandonados, não raras vezes doentes! Filhos da degradação humana, da humilhação e indignidade no seu limite máximo!Onde estão as políticas públicas para essas crianças ignoradas, invisíveis?Onde?
O crack hoje se impõe como um desafio para as políticas públicas. Não só pela quantidade, uma vez que o número de casos de alcoolismo é bem maior — e ocupa cerca de 70% dos atendimentos dos Centros de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) — mas porque é preciso encontrar uma nova estratégia de atuação.
Como em sua maioria são trabalhadores, ou filhos destes, o Estado demorou a ter políticas públicas para estes, até perceber que os filhos da burguesia também estão viciados. E os que estão executando nada mais são do que maquiagem, numa pratica higienista lamentável, sumindo com os usuários, dos olhos da classe média assustada.
O crack é uma droga que provoca uma dependência química rápida e devastadora e a forma de tratar com este tipo de usuário está desafiando os setores de atendimento da saúde, educação, assistência social, juventude e segurança. A política de redução danos, que trata o usuário de drogas e álcool ainda durante o uso das substâncias, não se aplica ao crack, pois o viciado não raciocina e dificulta qualquer tipo de abordagem ou intervenção.
Também não é possível acabar com a violência, aumentando o policiamento da cidade, pois isso em nada afeta as causas reais da violência e do consumo da droga, que são as profundas desigualdades sociais em que estão imersos nossos trabalhadores, a falta de moradia, de saúde, de educação de qualidade, o desemprego que coloca a juventude pobre e negra com uma única perspectiva: o tráfico de drogas.
         Hoje é imprescindível a adoção de muito mais investimento na saúde e de uma nova política sobre drogas que descriminalize e trate o usuário e ponha fim à “guerra ao crack”, além de mais investimento na educação em todos os níveis.

Maximiano Laureano da Silva