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quinta-feira, 4 de junho de 2015

4 propagandas que deram um "chega pra lá" na homofobia


A diversidade sexual foi tema  das principais discussões sobre propagada nesta semana, especialmente com a reação do público ao mais recente comercial da empresa de cosméticos  Boticário, na qual são mostrados casais homossexuais se presenteando com um novo produto daquela empresa.
As opiniões se dividem entre os que apoiam o mote da propaganda e aqueles que acharam que a marca não deveria tomar partido nesta questão. A repercussão foi tamanha que o comercial gerou reações homofóbicas e ameaças de boicote à marca, incentivadas inclusive por um destes pastores populares e midiáticos.
Depois de algumas denúncias do público, inclusive, o Conar decidiu abrir um processo para avaliar o caso, o que não implica na suspensão imediata da propaganda. Mas  o Boticário não foi a única marca que aborda a questão com a cara e a coragem. Confira abaixo quatro campanhas que deram um "chega pra lá" na homofobia:

Whybin/TBWA para o banco ANZ
A campanha abaixo ganhou um Grand Prix em Outdoor no Cannes Lions 2014. A agência transformou os caixas eletrônicos do banco ANZ em caixas eletrônicos gays para celebrar o Mardi Gras Gay, um carnaval LGBT de Sydney.


Ogilvy Brasil para a revista Billboard Brasil
Durante todo o dia 25 de março, a "Parada Gay na Rádio" foi transmitida em diferentes horários. A ação consistiu em tocar playlists de artistas, nacionais e internacionais, assumidamente gays, além de informar sobre a violência ocasionada pela homofobia no país.




Neogama/BBH para o Festival Mix Brasil
Com bom humor, o filme satiriza a intolerância, mostrando que hoje qualquer comportamento, por mais banal e cotidiano que seja, pode ser interpretado com viés homossexual.

Lew’LaraTBWA para o Portal Mix Brasil
Ouvintes da rádio 89FM, em São Paulo, foram surpreendidos por um aviso de que a próxima música da programação estaria em uma frequência que somente os homossexuais conseguiriam ouvir. Para ampliar a discussão, um táxi com câmeras escondidas e um ator captou as reações das pessoas a essa "suposta" frequência.

TV1 e TLB para a Gol 
Geralmente as campanhas que lutam para quebrar algum tabu escolhem um alvo; seja ele o preconceito racial, sexual ou ligado a alguma outra questão. Mas e quando uma marca resolve retratar a superação de vários paradigmas numa única ação e ainda utilizar o Dia das Mães como temática? Foi o que fez a Gol no trabalho "Entre tantos destinos, eles escolheram o amor".

Que o AMOR sempre prevaleça

fonte:
http://www.adnews.com.br/publicidade/5-comerciais-que-deram-um-bico-na-homofobia

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Amor e perfume nos tempos de Eduardo Cunha.



Uma empresa de produtos cosméticos, o Boticário publicou um comercial para o Dia dos Namorados com casais formados por pessoas do mesmo sexo, o qual iniciou uma onda conservadora na internet. Religiosos fundamentalistas pedem para que seus seguidores "desaprovem" o vídeo no Youtube, clicando na mãozinha com sinal negativo. Em outro momento, pedem para que consumidores desaprovem o comercial em sites de reclamações.

No discurso, os religiosos fundamentalistas, os quais parecem se sentir fortalecidos com a eleição de uma forte bancada evangélica no Congresso Nacional, capitaneada por Eduardo Cunha, dizem: "Vamos mostrar que os valores bíblicos são mais fortes. Precisamos nos posicionarmos. O povo cristão precisa abrir a boca". No Youtube, o "não gostei" está com mais de 110 mil desaprovações e pouco mais de 50 mil pessoas que aprovaram a campanha.

Já no site "Reclame Aqui", uma consumidora escreveu: "Fiquei insatisfeita em assistir a um comercial onde ocorre a banalização das famílias no modelo tradicional, e onde aparecem famílias homossexuais, como se fosse normais (...) Tenho o direito de preservar a instituição família dentro da minha casa, e infelizmente o comercial do Boticário está ferindo esse direito".

Diante da reação negativa dos conservadores, a empresa decidiu responder por meio da Central de Relacionamentos com o Consumidor: "O Boticário acredita na beleza das relações, presente em toda sua comunicação. A proposta da campanha "Casais", que estreou na TV aberta no dia 25 de maio, é abordar com respeito e sensibilidade a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor. Independente de idade, raça, gênero ou orientação sexual - representadas pelo prazer em presentear a pessoa amada no Dia dos Namoradoras. O Boticário reitera, que valoriza a tolerância e respeita a diversidade de escolhas e pontos de vista".

Então, está rolando uma campanha na internet contra o vídeo de O Boticário sobre o Dia dos namorados. O que ele tem de tão aterrador? Pessoas distribuindo presentes e afeto. Inclusive o vídeo tem mais dislikes do que likes. 

Aí vem algumas questões: o que leva um grande número de pessoas a se mobilizar pra disseminar o ódio? Por que a felicidade alheia incomoda tanto? Ao invés de nos juntar a países como EUA e vários países da Europa nos avanços dos direitos civis plenos para os homossexuais, vamos nos juntar aos países islâmicos, a Rússia, etc... E discriminar abertamente ou não os homossexuais?

Por que os religiosos fundamentalistas não usam o mesmo direito a "opinião" para boicotar comerciais de cerveja que objetificam e reduzem o papel e o corpo da mulher, por que não boicotam comerciais de carros que estimulam a concorrência econômica, por que não boicotam comerciais abusivos que estimulam o consumismo infanto-juvenil?

Será que não ė melhor boicotar o quadro da banheira do Gugu, que ė exibido na rede RECORD, que pertence ao BISPO MACEDO...ou esse quadro esse deve ser muito educacional para as crianças assistirem?

É por essas mesmas justificativas bíblicas que temos guerras e mais guerras, como a de Israel contra Palestina, do Estado Islâmico contra Cristãos. Talvez se não existisse a intolerância viveríamos em um mundo muito melhor, onde o respeito e ética seriam prevalentes a qualquer outra opinião ou opção.

Seria interessante lembrar que muitos gays e lésbicas passaram suas vidas inteiras vendo comerciais de dia dos namorados só com casais de “menino e menina” e nem por isso viraram heterossexuais.

Além disso, recentemente, a marca de refrigerantes Coca-Cola fez um comercial no qual uma família de homossexuais bebem esse refrigerante, enquanto discutem questões familiares. Irão os religiosos fundamentalistas parar de beber Coca-Cola? 

Mas é preciso lembrar também que o Boticário não é “bonzinho”. Essa empresa defende os direitos das pessoas de se amarem como quiserem ( o que eu admiro e respeito), mas promovem desfiles com peles de animais, mortos cruelmente, sendo escalpelados ainda com vida... Empresa hipócrita que usa de meios artificiais para se promover. Certamente esse novo produto do Boticário vai bombar. Primeiro pela excelência dos seus produtos, depois, pela publicidade positiva, ou marketing social, como queiram, gerado pela peça publicitária para a TV. Não respeita a vida animal e procura se promover, fazendo tipo com os homoafetivos.

Infelizmente, foi necessário uma empresa como a Boticário, que explora o meio ambiente e seus trabalhadores, fazer uma campanha como essa para mostrar a hipocrisia e o preconceito de muitas pessoas, num momento do país em que a classe trabalhadora vem sofrendo duros ataques do governo Dilma, Congresso e patrões. Os LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), fazem parte da classe trabalhadora também. Portanto, são afetados por toda política, lei ou qualquer outra coisa que mexa nos direitos dos trabalhadores. Se parássemos por aí, já teríamos muito pelo que lutar. Mas, ainda por cima, vivemos no país onde mais se mata LGBTs no mundo, por homofobia e transfobia.

Segundo Alessandra Lima, da Secretaria Estadual LGBT do PSTU, no Congresso não muda a situação: Eduardo Cunha é hoje o presidente da Câmara, e sempre foi inimigo declarado de pessoas LGBT e das mulheres. Ele é também radialista da Rádio Melodia, e, em seu programa, prega que a homossexualidade é uma doença e que mulheres só servem para reprodução, fomentando a homofobia e transfobia entre seus ouvintes. Além de arquivar o PL122, que trata da criminalização da homotransfobia, Cunha conseguiu desarquivar seu projeto de criação do “Dia do Orgulho Heterossexual” em um claro deboche aos graves problemas que oprimem e matam LGBTs todos os dias. 

E os religiosos fundamentalistas colaboram com o preconceito, com a homofobia e transfobia, o qual foi um dos elementos que ajudaram a eleger essa bancada evangélica, que tanto mal está fazendo à classe trabalhadora. 

Não à homofobia! Pela imediata criminalização da LGBTfobia e aprovação da Lei de Identidade de Gênero!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rede Globo: Estupro, Homofobia e Preconceito: tudo a ver.


Rede Globo: Estupro, Homofobia e Preconceito :tudo a ver.

Na História universal as grandes obras culturais serviram não somente como arte, para se admirar ou apreciar. Outras cumpriram outros papéis.
Foi assim com Homero, em sua Odisseia e Ilíada, que mostram a perspicácia e capacidade do povo grego, os ensinam a adorar e respeitar os deuses.  Chaucer no seu livro “The Canterbury Tales”,  (Os Contos da Cantuária,) não só cria um estilo de escrever,  mas também unifica o Inglês medieval. Assim como Shakespeare vai ser como um padrão mais tarde nessa língua.
 Dante, em a Divina Comédia, usa o céu e o inferno e unifica a língua Italiana.
Nos tempos modernos, porém, com os novos meios de comunicação, cada vez mais rápidos e abrangentes, é de se esperar que esses conhecimentos e atitudes fluíssem mais aceleradamente..
Foi assim como o rádio, em especial no Brasil. Ele serviu para alegrar e instruir, moldando a cultura nacional, criando celebridades, bordões. Programas de humor como PRK30, “Balança, mas não cai” e outros nos apresentaram personagens que até hoje em dia fazem rir, de situações tipicamente brasileiras ou universais. Esse caráter foi herdado pela televisão,
A Rede Globo de Televisão, líder de audiência desde a década de 70, tem ditado em suas produções, tais novelas, filmes, desenhos e programas de humor como o se portar, funcionando como formador de opinião, tendo um importante peso no processo de pensar e agir.
Infelizmente, a partir disso, vários preconceitos ficaram enraizados no consciente coletivo nacional. Só há pouco tempo começaram a aparecer personagens negros em papéis principais, como mocinhos, por exemplo. E mesmo em papéis secundários e figurantes, estes não são muitos. Algo que não reflete a realidade do povo que a Globo pretende retratar
E não para por ai.Talvez você não perceba. Talvez até ache graça. Mas a violência contra as mulheres está sendo incentivada dentro da sua casa, de forma nada sutil, no humorístico Zorra Total.
Todos sabem que este humorístico, transmitido pela Rede Globo, que nunca foi lá muito engraçado (e anda bem sem graça há tempos) tem apresentado quadros novos, onde vários personagens "tentam" fazer rir,  em um esforço de dar ao programa mais frescor e agilidade.  Por exemplo, o quadro “Metrô Zorra Brasil”, com as personagens: "Valéria” (Rodrigo Sant'anna), ex-Valdemar que operou e virou mulher e Janete (Thalita Carauta) - ambos do quadro "Lady Kate" do mesmo programa.
- AI COMO EU TÔ BANDIDA já virou um bordão. Segundo o ibope, Sábado (25) Zorra Total marcou 24.8 de média no mesmo horário, em comparação com a rede Record
Na fórmula do roteiro, lá pelas tantas, em todos os episódios, um sujeito se aproxima, encosta e bolina a mulher de várias formas. No episódio do dia 9 de julho, o quadro mostrou a mulher sendo “tocada” em suas partes íntimas com a “batuta” de um maestro.
A mulher atacada, Janete (Thalita Carauta), cochicha com sua amiga Valéria (Rodrigo Sant’anna), que, ao invés de defendê-la, diz: “aproveita. Tu é muito ruim, babuína. Se joga”. Ouvem-se risadas automáticas.
É engraçado, mesmo, não é? Talvez não tanto para as muitas mulheres as quais sofrem com agressões sexuais no transporte público no nosso país. O metrô de São Paulo, sendo o mais lotado do mundo, é palco diário delas em suas composições. Impossível rir disso.
Alguns meios de transporte coletivo no Rio de Janeiro reservam áreas ou vagões. Que funcionam como um refúgio,  para que as mulheres se sintam mais  vulneráveis, “babuínas” ou não.
Notoriamente a Rede Globo não se preocupa em ser uma emissora defensora das minorias, mulheres e/ou da diversidade. Recentemente o diretor-geral da emissora exigiu que os autores da novela “Insensato Coração” acabassem com comentários favoráveis às bandeiras gays, e recomendou menos ousadia nas cenas entre os dois personagens homossexuais que se percebe é que embora os cidadão homossexuais tenham conseguido várias conquistas ao longo dos anos, assim como os negros, isso ainda não se reconhece nas obras de ficção, muito menos naquelas desse canal.
Mas o Zorra Total foi longe demais. O quadro do programa incentiva a violência contra às mulheres e o estupro, de uma forma sistemática, já que o ataque é parte da estrutura permanente do texto. Ou seja, todas as semanas, a Rede Globo diz que as mulheres que sofrem abuso sexual devem “aproveitar” e “agradecer”, jogando contra, entre outras coisas, contra a autoestima das mulheres..
Todas as semanas nós recebemos em nossos lares a mensagem de que é natural abusar sexualmente de mulheres no metrô, nos trens, nos ônibus; naturalizando a violência contra a mulher, diminuindo a gravidade de um crime, tornando-o algo menor, sem importância.
Como se já não bastasse o desserviço que o Zorra Total fazia à língua portuguesa com o “tô pagano”, do quadro "Lady Kate" do mesmo programa, agora há mais material para detonar essa z(p)orra. O Zorra Total agora diz pra mulheres aproveitarem enquanto são bolinadas em rede nacional e que ainda temos que rir disso.

Max Laureano
Professor de Inglês e escritor
maxlaureano@gmail.com